
Condomínio de escritórios
Espaço Comum e Percurso Sensorial: Conceito e Estratégia de Projeto
O espaço, apesar de limitado, é de pertença coletiva. O seu desenho parte da premissa de que a arquitetura deve proporcionar experiências partilhadas, mas também íntimas, apelando aos sentidos e à individualidade de cada utilizador.
A abertura de acesso aos corredores — com um caráter mais introspectivo — e a utilização intencional da cor, foram pensadas para evocar estímulos sensoriais e criar uma atmosfera poética. A experiência do utilizador é enriquecida por uma diversidade de sensações: desde o silêncio e a introspeção à comoção, ao arrepio ou à contemplação. Estes estímulos são reforçados pela variação formal dos tetos e pela escolha estratégica da iluminação.
Procura-se, assim, estabelecer uma ligação entre a envolvente arquitetónica, o corpo e a mente do utilizador, promovendo um desejo contínuo de descoberta sensorial. Este percurso culmina na entrada nos escritórios — espaços privados e personalizados — onde se intensifica a relação entre identidade e espaço. Cada escritório oferece um ambiente único, adequado às necessidades e estímulos desejados por quem o ocupa.
As cores desempenham um papel fundamental neste percurso. A paleta cromática foi influenciada tanto pelo contexto local como pelas dinâmicas sociais do espaço. O objetivo é transmitir sensações de calma e tranquilidade, sem abdicar de uma energia subtil e de uma imagem de seriedade e profissionalismo.
Materiais como o microcimento em arabic terracota, o amarelo dos tetos e o branco das paredes e corrimão criam uma combinação equilibrada entre estimulação visual e conforto. A iluminação, especialmente nos degraus, orienta o olhar e marca o ritmo do percurso. Esta direção do olhar permite que os outros sentidos — tato, olfato e até audição — se ativem através das texturas, materiais e variações espaciais.
A forma do teto, com a sua geometria não uniforme, contribui para esta experiência extrassensorial, permitindo que o espaço seja sentido através da pele, num diálogo contínuo entre forma, luz, matéria e perceção.
A arquitetura aqui proposta não é apenas funcional — é uma experiência sensível, imersivo e profundamente humana.




